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J. C. Fantin

sábado, 8 de outubro de 2016

[DEMO] Ambedo

Dicionário de Sentimentos - Miniconto - Pequeno Infinito


DIA 1
Hoje foi um dia e tanto de trabalho. Todas as reclamações e serviços irritantes do meu setor me deixaram com a cabeça pesada e o corpo mole. Está tudo chato e não fica muito melhor quando chego em minha casa. Tudo o que eu preciso é de um bom banho ou qualquer coisa com que eu possa relaxar e esquecer desses problemas que não largam do meu pé. É aquela famosa estação do ano em que os dias estão mais frios, nebulosos e depressivos, onde cada gota do sereno na grama do jardim pode ser contada, ao contrário das estrelas no céu que ficaram escondidas pelas nuvens. Está tão calmo. Calmo como quando você entra no box, está prestes a ligar a chuva de água quente, mas espera por alguns segundos. Apenas para ouvir o silêncio mais um pouco.

DIA 2
A névoa hoje está terrível. Como se ela quisesse apagar a existência de qualquer paisagem vista de minhas janelas. Logo de manhã pareceu que o sol havia ficado incolor e eu parei de sentir as energias que sempre sentia quando a luz dele me atingia. O dia está cinzento, sem vitalidade, quieto, recebendo uma tênue brisa do fim da madrugada. No meu trabalho, todos parecem iguais: com as reclamações de sempre, as mesmas posturas, os mesmos gestos, os mesmos serviços. Tão igual que eu olho mais para os desenhos nas nuvens do que para a tela do computador. Como quando você está no banho quente, mas, ao invés de se lavar, nota as suaves gotas de água que se formam aos poucos nas paredes do banheiro.

DIA 4
A rotina não ousa parar de se repetir. Até mesmo a névoa e as fumaças dos escapamentos dos carros são as mesmas. O ritmo dos meus passos são os mesmos. Os poucos e eventuais sorrisos são acompanhados pelas frequentes e copiosas discussões fúteis nas ruas. Os pássaros parecem voar mais baixo, quase como se quisessem realmente me saudar. E, à noite, uns corvos silenciosos visitam a árvore do meu jardim. Eu olho para todos, um por um, mas não me comunico, mesmo se quiser. Da mesma maneira que aquela conversa hipotética e repetitiva insiste em te incomodar quando você está tentando se lavar na ducha.

DIA 9
Minha casa parece um pouco menor que antes. Mais apertada, fria, inconstante, desproporcional. Os corredores que antes eram retos agora parecem fazer curvas. Os quartos estão claustrofóbicos. É como um pulmão se esvaziando comigo dentro. A névoa está me amassando, amassando todos nós: os móveis, as lâmpadas, as folhagens mal regadas, minha vontade de ficar ali. Saio para uma caminhada. Ironicamente, o mundo externo está quase igual: pequeno. Semelhante a como sempre foi, mas pequeno e estático. Apenas com os carros aqui e ali, as pessoas sem expressão, as folhas que planam ao som do vento. Assim como é no chuveiro, quando você procura qualquer coisa diferente nos padrões do azulejo, nos frascos de xampu, no próprio reflexo no espelho. Tudo é como sempre esteve dentro das paredes do box.

DIA 23
Finalmente a névoa parece dar sinais de trégua. Toda a esperança que eu tenho de sair dessa rotina embaçada foi em vão. Mesmo sem a névoa, ainda não posso, ou não quero, ver as estrelas ou o que havia mais longe de onde eu passo. Ficou ainda mais frio com a mudança de estação, mas eu desconheço o motivo. Algumas borboletas aparecem nos quintais das casas e, mesmo eu sabendo que elas certamente seriam coloridas, eu não vejo cor alguma. As flores das árvores, o brilho das lâmpadas de LED, os olhos das crianças que passeiam com suas mães: tudo é preto e branco, ou escuro, ou quase como se não existisse. Ou duas dessas coisas. Ou as três. Quando algo parece vivo de longe, eu chego perto e toda a felicidade parece ter sumido. Como nas vezes que o chuveiro fica um pouco mais quente ou mais frio: não importa, é o mesmo banho de sempre...

Quer ler o resto do conto?

(´._.`) 
J. C. Fantin
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