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J. C. Fantin

domingo, 12 de junho de 2016

[DEMO] Imperfeito

Conto Fantástico - Pequeno Infinito

Eu finalmente havia entrado em meu novo emprego. A empresa que me contratou havia acabado de demitir um dos melhores gerentes deles e eu, com a minha já extensa experiência, consegui ser contratado no lugar. Ganhei para mim o escritório do antigo funcionário, os documentos inacabados, as contas pendentes e, principalmente, sua auxiliar de escritório: Lucélia. Mas ainda não é o momento certo de começar a falar sobre ela.

Primeiro, tenho que falar um pouquinho sobre mim. Mais precisamente, sobre o meu poder de voltar no tempo e sobre a sua contraparte: a maldição que tenho em meu coração. E, mais precisamente ainda, sobre como eu consegui esse emprego.

Dias antes de ser admitido, eu entrei no escritório, ajeitei meu terno e sentei-me na frente da gestora de RH para a entrevista. Tudo certo até aí. Ela fez a primeira pergunta, a qual eu respondi da forma mais desastrosa que já havia feito na minha vida. Mas tudo bem, fazia tudo parte do plano. Voltei dez segundos no tempo e refiz minha resposta. Mais uma vez, o olhar da gestora foi de decepção. Voltei novamente alguns segundos e respondi mais uma vez. Foi a resposta perfeita. Continuei fazendo isso, resposta atrás de resposta, deixando a entrevistadora cada vez mais impressionada.

Mas, em certo momento, um aperto veio em meu coração e senti que ia morrer a qualquer momento. Essa é a tal maldição que eu havia mencionado antes: uma doença rara, que ataca normalmente quando estou nervoso ou pressionado, como um ataque cardíaco. Caí no chão na frente da gestora e praticamente morri, mas bastou eu voltar no tempo que tudo voltaria ao normal. Pedi licença, fui ao banheiro, tomei os comprimidos que previnem o ataque e voltei normalmente à entrevista. Respondi o resto das perguntas de uma forma precisa e ganhei a vaga.

Era assim que a minha vida funcionava: o “quase” fracasso em tudo, a “quase” morte a todo momento e o “rebobinar” voltando no tempo para se ter sucesso. Apesar dos riscos, eu conseguia praticamente tudo o que eu queria em minha vida, bastava tentar por quantas vezes fossem necessárias. Era uma vida que só eu poderia ter. Era uma vida perfeita.
Agora está na hora de falar sobre Lucélia.

Sentei-me pela primeira vez em minha cadeira e ela se apresentou. Uma moça bastante jovem, com cabelos loiros e cacheados, olhos claros como um céu e sorriso branco como uma lua. Seu jeito era um tanto estabanado, desequilibrado, mas meigo. Dava uma risadinha entre cada fala, olhava as horas no celular a cada minuto, falava às vezes rápido e às vezes devagar e confundia as palavras. Ela era, acima de tudo, desajeitada e ansiosa. Quando eu falei as minhas primeiras palavras para ela, acreditei que não tinha feito certo e pensei em voltar no tempo, mas não achei necessário.

Com o passar das horas do primeiro dia de trabalho, eu achava ela mais e mais estranha. Não no mau sentido, ela era apenas diferente. Deixava cair os papéis, derrubava o café na mesa, passava algumas informações confusas. Eu achava engraçado, mas estranhava cada vez mais o fato dela estar nesse emprego até então. Mas não me importei muito, ela fazia seu papel.

Enfim, primeiro dia foi esquisito. Foi a primeiríssima vez que, em um longo período com alguém, não precisei voltar no tempo um segundo sequer. E também foi a primeira vez que eu não tive nenhum ataque cardíaco. Achei que era meu dia de sorte...

Quer ler o resto do conto?

❀◕ ‿ ◕❀
J. C. Fantin

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