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J. C. Fantin

domingo, 25 de dezembro de 2016

[DEMO] Salamandra

Conto Fantástico - Pequeno Infinito

Coloquei a caixa no porta-malas. Entrei no carro, dei a ignição e parti da garagem. Esperava que não tivesse esquecido nada para a viagem. Quando cheguei à fronteira da cidade, esperei a minha próxima instrução de Salamandra, que veio sem atraso na caixa de entrada das mensagens do celular:

“Vá para o oeste”, diziam singelamente as letras.

Obedeci. Peguei a estrada e parti rumo ao pôr-do-sol. Aquela noite seria certamente longa e não teria descanso. Via as luzes dos postes passarem sem parar, as tartarugas da beira da estrada refletindo a luminosidade dos meus faróis, pontinhos no fundo do asfalto se aproximando lentamente, para passarem por mim rápido como um piscar de olhos na forma de carros no sentido oposto. Nada diferente do que uma nada rotineira jornada rumo ao longínquo desconhecido.

A luzinha vermelha do combustível acendeu. Imediatamente, recebi mais um SMS do Salamandra: “Abasteça o combustível do veículo. Encha com cinquenta litros de gasolina aditivada, troque o óleo e encha o pneu traseiro esquerdo. O próximo posto está a cerca de trezentos metros à frente”. Nada mais pude fazer além de seguir a instrução. Com o tanque quase no máximo, óleo renovado e pneu sem falhas, dei a partida novamente.

Árvores dos bosques e plantações ordenadas passavam pelas laterais rapidamente enquanto eu rodava pela estrada. O tempo passava entediante, lento, seco. Era como esperar uma cirurgia por horas em uma sala escura. Nada mais eu via além da paisagem e da linha cinzenta que era a pista. Nada mais ouvia além do silencioso barulho do motor e dos zunidos que eram os eventuais carros e caminhões que passavam pela outra pista. Nada mais farejava do que o cheiro do ar-condicionado dentro das janelas fechadas. E nada mais pensava a não ser a que hora eu chegaria ao destino ou qual seria a próxima mensagem de Salamandra.

Já havia se passado algumas horas. Sentia um aperto no estômago e uma fraqueza natural. Salamandra mais uma vez se comunicou e eu soube quando meu aparelho vibrou brevemente perto da alavanca do freio de mão: “Alimente-se no restaurante que encontrará daqui a quinhentos metros. Demore no máximo vinte minutos. Beba água natural gelada e vá ao banheiro. Não chame suspeitas”.

Fiz. Estacionei o carro e entrei no lugar. Eram nove e treze da noite. O restaurante estava com poucas pessoas, todas viajantes, com a exceção dos dois policiais que haviam feito uma parada e agora tomavam um café. Esses eram o problema. Enchi o prato do buffet silenciosamente e comecei a devorar o mais rápido possível. Eu havia levado o celular e Salamandra mandou mais uma mensagem: “Eles estão olhando para você. Evite contato visual. Quando for ao banheiro, saia o mais rápido possível e não se esqueça de pagar a conta”. Limpei o prato e percebi que tinha apenas quatro minutos sobrando. Eu não podia desobedecer o limite de tempo. Indo até a porta do sanitário, sem querer troquei um olhar com um dos policiais, que me fitava com uma expressão vigilante. O parceiro dele falava baixo no aparelho de comunicação. “Droga. Espero que não tenham descoberto nada”, pensei. Fiz minhas necessidades e saí do banheiro. Caminhei rápido para o caixa e entreguei o dinheiro com as mãos suadas e trêmulas. Os policiais levantaram de suas cadeiras e eu corri para o carro. Eles vieram também. Me desesperei, mas a porta automática fechou logo atrás de mim e os fechou pelo lado de dentro. Raivosos, me observaram partindo estacionamento afora, deixando marcas de pneu. Vi, no último instante, que estavam anotando alguma coisa a caneta, talvez a placa do carro. "Droga!", resmunguei em silêncio.

O celular vibrou de novo: “Eles não vão te seguir. Continue dirigindo na velocidade padrão”, recebi de Salamandra.

Minutos depois, celular vibrou diferente. Era uma ligação da minha esposa. Recusei a chamada. Na segunda também. Depois de alguns minutos veio a terceira, que também recusei. Um Whatsapp chegou dela, mas eu nem quis visualizar. Depois uma mensagem veio, era de Salamandra: “Continue ignorando”. Eu estava irritado com aquilo. Não queria deixá-la preocupada, mas não tinha escolha. Eu não podia desobedecer Salamandra. Mais uma mensagem chegou e eu quase dei um grito de fúria. Ao ler, vi que não era de Salamandra, mas sim de minha mulher: “Onde você está? Por favor, atenda! Há dezenas de policiais e gente estranha aqui em casa. Estão vasculhando tudo. Nosso filho está desesperado comigo, chorando. Não param de me fazer perguntas”. Depois mais um SMS chegou, dessa vez de Salamandra: “Apenas leia se tiver certeza que sou eu. Preste atenção na estrada. Faça conforme eu mandar. Sua esposa e seu filho não sofrerão”...

Quer ler o resto do conto?


( ゚o゚)
J. C. Fantin
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