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J. C. Fantin

sábado, 17 de junho de 2017

[DEMO] Celândia

Conto Fantástico - Pequeno Infinito

Celândia era um país maravilhoso. Considerado por muitos o “país do milênio”, o mais seguro e mais sustentável de todos, o novo ponto central de todos os continentes. Infelizmente não era muito aberto a turistas, mas isso só porque eles arruinariam a estabilidade de um lugar tão utópico.

Os dias de eleição estavam chegando. Nervos à flor da pele, pelo menos para os candidatos. E principalmente para Tanso Taverna Tavares, o concorrente número um, sendo o mais indicado e aclamado pela internet, representante do PTT (Partido Todos Tansos). Certamente um exemplo a se seguir na Celândia.

Nesse dia, Tanso Taverna Tavares levantou-se mais cedo do que o normal. Arrumou impecavelmente a cama, colocou seu mais formoso traje e acenou para si mesmo no espelho, sorridente, ou fingindo estar, pois estava nervoso. Se fosse eleito para presidente de Celândia, Tanso Taverna Tavares faria história. Os projetos e regras que estaria disposto a executar tornariam aquele país em um lugar ainda melhor para se viver do que já era. Ele estava pronto para mais um dia rotineiro de promoções e divulgações da sua imagem, portanto, rapidamente chamou o carcereiro, que veio logo com a chave para abrir a entrada seu local particular:

— Bom dia, senhor Tavares! — Disse o carcereiro, colocando a chave na fechadura. A cela era incrivelmente confortável, com grades delicadamente pintadas de branco e piso preenchido com um belo mosaico de porcelanato. — Você parece estar feliz nesse dia tão belo!

— Bom dia, senhor Da Silva! — Cumprimentou Tanso Taverna Tavares, escorregando para fora de sua cela, cuidando para não sujar seu belo traje laranja. — O dia está bonito, então? Muito sol? — Perguntou trivialmente. Sua cela não possuía janela, assim como a grande maioria das outras, portanto ele não tinha essa informação.

— Mais do que um dia bonito, um dia claro e sem previsões de chuva! — Respondeu o carcereiro.

Assim que chegou a um dos pátios principais de Celândia, viu aquele monte de gente, cada um em sua “tribo”, conversando e interagindo. Todos vestidos de laranja, com uns sete ou oito guardas ou carcereiros cuidando da segurança da população. Ainda não havia muitas pessoas, pois era cedo, mas o sol já clareava o pátio de recreação com vivacidade.

Em um lado, estava o grupo de trabalhadores industriais. Passavam o tempo quebrando pedras, operando máquinas ou os dois, prestando seus serviços para o bem de Celândia, assim como os grupos de fazendeiros, faxineiros e de funcionários públicos. Essas classes não tinham celas muito boas, mas estavam entre os que mais tinham tempo ao ar livre. Às vezes, mas somente às vezes, aconteciam discussões e briguinhas entre eles, mas que logo eram controladas pelos guardas, que tinham celas maiores e mais confortáveis, mas tinham que trabalhar muito mais para organizar aquele pessoal todo. Também havia a classe dos médicos para os doentes, advogados para os injustiçados, arquitetos para novos espaços de celas, engenheiros para as máquinas, psicólogos para os depressivos. Todos juntos mantinham a população feliz, até mesmo as celebridades, os “famosões” de Celândia: cantores, atores, apresentadores de reality shows, anunciantes de loteria, as pessoas que mais eram vistas nas televisões. Tinham as celas mais bonitas do país e sempre um lugar de destaque entre a multidão no pátio de recreação. Também havia alguns outros grupos regulares: artistas menos reconhecidos, contadores, cozinheiros, técnicos. Eram os que mais desaprovavam a política de Tanso Taverna Tavares, mas não conseguiam causar muitos problemas.

Apesar de tantas divisões, o povo era muito unido. Alguns com celas mais modestas, outros com as mais estilosas, mas todos muito bem servidos de luxos: tempo em área aberta ao sol, comida, bebida, trajes laranjas, banho uma ou duas vezes por dia, televisão, segurança e saúde. Ninguém infeliz. Os que arrumavam confusão ou incomodavam a ordem eram jogados por alguns dias na boa e velha solitária ou recebiam mais sessões de psicólogos. Os que estivessem inconformados ou insatisfeitos podiam conversar com os diretores de sessão. Motins nunca aconteceram, raríssimos eram os assassinatos ou roubos. Era uma sociedade perfeita, e o candidato Tanso Taverna Tavares estava preparado para deixá-la ainda melhor, se é que fosse possível...

Quer ler o resto do conto?

( '‿' )
J. C. Fantin
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