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J. C. Fantin

sexta-feira, 30 de junho de 2017

[DEMO] Emily

Conto Fantástico - Pequeno Infinito

Emily acorda às seis e meia da manhã. Uma adolescente magra e de cabelos negros e volumosos. Olhos cansados e distantes, desinteressados, como se tudo em volta estivesse perto demais. Mal come nos cafés da manhã, prefere ouvir o estômago roncar, é mais confortável. O problema é que ele nunca ronca. Passa maquiagem nos olhos, o suficiente para escorrer bastante toda a vez que os molha. Penteia os cabelos, mas sempre parecem um pouco bagunçados, nunca se ajeitam da forma que ela quer, como tudo. Despede-se de sua tia com um beijo morto e vai andando para o colégio. Mesmo com sua pele pálida, o sol não parece aquecê-la como deveria. No caminho, alguns garotos vez ou outra olham para ela, que em resposta se encolhe e desvia o olhar em uma postura repulsiva. Passa pelos corredores do colégio sem olhar para ninguém. Se tem algum amigo ou amiga, não conhece. Seu único momento de intimidade com alguém na sala de aula é ao emprestar o apontador, por exemplo, e também é o único momento em que sorri, quando ouve um silencioso “obrigado”.
Emily vai embora do colégio mais séria do que quando entrou. Seu olhar fica fechado quando vê os garotos a encarando, quando começam a rir, provavelmente dela, certamente dela. Nenhum “tchau”. Almoça quase nada em casa e apenas escuta as conversas de sua tia que, preparou a comida. Vai para o quarto e fica lá pelo resto do dia.

No jantar, sua maquiagem está borrada.

Na hora de dormir já não há mais nada.


∞


Dois anos antes, era aquele dia.

Naquele dia, Emily acordou de um sonho que já esqueceu quando o despertador soou barulhentamente com a música “Lucy in the Sky with Diamonds” na cabeceira da cama. Pulou e se vestiu em um pulo quase olímpico, ajeitou sua mochila, penteou os lindos cabelos, desintegrou seu café da manhã e deu um alegre beijo de despedida na bochecha de sua amada tia. Saltou para fora de casa e foi para o colégio a passos calmos, aproveitando o sol.

Naquele dia, segundos antes de escorregar para dentro dos portões de sua prisãozinha didática, seu amigo crush recém-ficante Eduardo a puxou e deu um leve beijo nos lábios. Estavam quase atrasados. “Venha comigo hoje, vamos fazer uma pequena viagem”, disse ele. Ela olhou risonha para os lados, não viu nenhum adulto e simplesmente respondeu: “vamos”. Ele estava usando um novo e elaborado óculos de armação grossa, design que ela adorou e só a deixou mais apaixonada pelo rosto dele.

Naquele dia, saíram correndo juntos pelas ruas úmidas de uma cidade que pouco antes foi enxaguada pela chuva. Atravessaram por quase todas as avenidas que Emily conhecia, depois por ruas menores de bairros residenciais, depois por arruelas e estradinhas das velhas periferias. Chegaram finalmente a uma cerca de arame farpado, por onde Eduardo colocou um graveto de apoio em uma parte inferior e passou por baixo, arrastando-se. Emily hesitou, mas, suada, pensou rapidamente em tudo pelo que já havia passado nos últimos momentos e o imitou, atravessando a estreita passagem improvisada, sentindo-se como uma fugitiva fora-da-lei e feliz...

Quer ler o resto do conto?


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J. C. Fantin
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