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J. C. Fantin

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

[DEMO] Não Vá Embora

Conto Fantástico - Pequeno Infinito

Não me lembro de ter nascido. Não me lembro de ter aprendido a enxergar, grunhir, reconhecer rostos, engatinhar, mexer meus braços, minhas pernas. Talvez eu até me lembre, mais ou menos, de como aprendi a falar e reconhecer falas, me lavar, trocar de roupa, contar, andar. Ainda não sei ler, escrever, cozinhar, mexer nas máquinas ou desentrelaçar os inúmeros fios dos corredores e quartos de casa, mas logo aprenderei. Vivo com a única pessoa que diz ser capaz de cuidar de mim, pois não posso sobreviver sozinho: Meluna, que faz tudo o que preciso para me sentir à vontade aqui. É uma moça que aparenta ter meia-idade, cabelos curtos e lisos, olhos de alguma cor perto do azul e pele um pouco pálida assim como a minha, pois não temos muito o costume de visitar o sol.

Meluna diz que eu tenho sete anos de idade, embora diga também que isso não importa muito. Enquanto nós dois estamos juntos em uma das salas da casa, pergunto:

— Mel — é assim que eu a chamo —, por que não importa saber quantos anos se passaram desde que nasci?

Ela responde:

— Porque você não é como as outras crianças. Você nem sequer nasceu de verdade, para ser mais exato. Seu pai te fez usando as peças e máquinas que há aqui em casa.

Enquanto conversamos, ela anda de um lado para o outro, eu seguindo. A Mel limpa os móveis da casa, arruma os vários objetos que ainda estão bagunçados pelos cômodos e ajeita os infinitos cabos de energia que saem das paredes, do teto, das roldanas. Eles parecem nos seguir para onde vamos, pois estão em todo lugar. Pergunto onde está o meu pai.

— Seu pai criador foi embora há algum tempo — Mel afirmou. — Ele voltará assim que puder, mas provavelmente não será em breve. Ele é importante para várias funções, dentro e fora dessa casa — enquanto fala, a Mel me olha sem expressão. Andando pela casa e fazendo seus vários afazeres, ela ajeita mais fios embaraçados e volta a falar assim que liga um motor que mantém algumas luzes acesas. — Ele faz isso desde muito tempo atrás, mas essa é a primeira vez que precisou me deixar cuidando de você.

— Por que não podemos ir junto com ele?

— Porque você ainda não está pronto para sair — ela é um tanto fria comigo, sempre foi.

— Mas por que não?

— É essa casa o que te deixa funcionando. Também é a minha obrigação cuidar de você — ela responde. — Preciso que você fique aqui dentro comigo, senão você não irá durar para que seu pai te veja de novo.

— E também porque você é a minha mãe! — Completo, sorrindo. Ela nada concorda, nem sequer discorda, apenas volta aos seus afazeres. Ela está sempre assim, ocupada.

Eu vou até a sala e sento no único sofá de lá. Apesar da Mel fazer tudo o que eu e a casa precisamos, fico sempre confuso. O tempo passa devagar. Não lembro se alguém já me contou, mas eu apenas sei que uma mãe e um filho, ou um pai e um filho, ou quaisquer duas pessoas próximas em uma família, deveriam passar o tempo juntas para que ele passe mais rápido. Lembro de tudo o que meu pai me ensinou sobre essa casa, acho que eu sei até mais do que a Mel.

Ela aparece onde eu estou. Pensei que veio conversar mais comigo, mas na verdade é para calibrar mais aparelhos grudados na parede. Aproveito que ela pode me ouvir e pergunto:

— O que acontece se eu sair de casa ou se você parar de cuidar de mim?

— Você desligará — ela responde. — É como morrer para as pessoas.

— Então eu vou morrer se deixar essa casa?

— Não, apenas pessoas morrem. Você desligará pela falta de energia ou manutenção.

— Eu não sou uma pessoa?

— Não, você é um androide.

Não é a primeira vez que ela diz isso. Eu nunca quero acreditar nessas palavras, mas a Mel nunca mentiu para mim. Na verdade, nem sei o que isso significa. Decido perguntar, então:

— O que é ser um androide?

— Significa que você nem sequer é vivo como as pessoas...

Quer ler o resto do conto?


(°﹏°)
J. C. Fantin
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