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J. C. Fantin

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

[DEMO] Bexiga Amarela

Conto Fantástico - Pequeno Infinito

Pelo menos uma vez por semana eu passava no parque central da pequena cidade onde eu vivia. Eu caminhava pelas trilhas de cascalho, sentava em um dos bancos, observava a movimentação, lanchava, aproveitava o raiar do sol. Fazia parte da rotina e já era como uma meditação para mim. Mas chegou um certo momento em que o dia a dia naquele lugar se tornou ainda mais interessante, quando uma peculiar criança, juntamente com uma idosa que cuidava dele, começaram a frequentá-lo.

O garoto, de cerca de sete anos de idade, magro e com cabelo totalmente raspado, levava sempre junto com ele uma bexiga amarela enchida com hélio ou outro gás que a fizesse flutuar. Estava presa por uma cordinha branca ao braço dele, segurada por um nó. O menino parecia nunca se desfazer daquela bexiga, cuidava insistentemente para que nada de ruim acontecesse com ela, nunca a desamarrava do braço, nem sequer brincava com ela, como se ela fosse um membro do próprio corpo. A bexiga não o abandonava, não furava, não murchava, mesmo quando brincava no parque ou corria para lá e para cá.

A senhora que o acompanhava provavelmente era a avó, velha, mas muito cuidadosa com a criança.

Semanas se passaram e pouquíssimos foram os dias que não vi aquele garoto e sua bexiga amarela. Suspeitava que a criança passeava pelo parque todos os dias. Passei a observá-la um pouco mais, para tentar descobrir qual era a participação daquele flutuante objeto na vida dela. Mas sempre fracassava ao ter palpites, pois o comportamento era quase sempre o mesmo, o balão parecia ser sempre o mesmo e o garoto, com o pouco que interagia com as outras crianças do parque, não revelava muita coisa. Foi então que, em um de meus passeios, decidi falar com a idosa que o acompanhava.

Quando perguntei, ela apenas consentiu com a minha curiosidade e informou que o menino, desde muito cedo, simplesmente preferia ficar com aquela bexiga o tempo inteiro, até mesmo na hora de dormir, e que também não sabia exatamente o motivo, mas que provavelmente era algo relacionado ao fato de que ele era autista. Ela me revelou, também, que o pai era muito doente e que a mãe já havia morrido pouco depois do nascimento dele. Aquela senhora, apesar de simpática, parecia ter a voz e a audição um pouco debilitada, por isso não conversava muito e eu decidi deixá-la em paz.

Fiquei ainda mais curioso depois disso e não parei de tentar descobrir o que influenciava aquele garoto. Eu era tímido demais para falar diretamente com ele e também não queria assustar uma criança autista. Eu não saberia lidar direito com isso, talvez fosse uma ignorância minha. Mas o fato era que aquilo me intrigava cada vez mais.

Algum tempo depois, decidi seguir discretamente a criança e a idosa logo depois deles saírem do parque. Apenas precisei ir atrás da bexiga amarela. Eles caminharam pacientemente pelas calmas calçadas da cidadezinha até chegarem ao hospital, onde entraram. Eu fiquei sentado do lado de fora esperando, até que do mesmo lugar saiu apenas a idosa que cuidava do garoto. Quando olhei para cima, vi o que me surpreendeu: dentro de uma das janelas do hospital, onde provavelmente eram os quartos de internação, estava flutuando uma bexiga amarela. No ângulo que eu estava era claramente visível. Momentos depois de eu visualizar, o mais surpreendente aconteceu: a bexiga se desprendeu e voou para fora da janela...

Quer ler o resto do conto?

ó_ò
J. C. Fantin
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