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J. C. Fantin

quarta-feira, 25 de abril de 2018

[GRÁTIS] Estouro

Miniconto - Pequeno Infinito

Não aguento mais trabalhar nessa metalúrgica, mais precisamente em minha profissão de “operador auxiliar de máquina parafusadeira transversal contínua a ar comprimido”. A única coisa que eu vejo, engrenagens à frente. Olhando para a direita, uma parede com falta de reboco. Para a esquerda, meu colega operando outra dessas máquinas com nome técnico enorme. Ele dá um carismático joinha sempre que trocamos um ocasional olhar. Atrás, o resto do pavilhão todo. Mais um cara qualquer chega para conversar com o meu colega da esquerda e volto a encarar a minha frente.

O que ouço é sempre apenas os sons ensurdecedores dos estouros do equipamento que mantenho funcionando, por trás dos meus protetores de ouvidos. O estouro quando puxo a minialavanca de abertura. O estouro quando o parafuso de 14 centímetros é erguido pelo pistão. O estouro quando o pressurizador coloca o parafuso em posição horizontal. O estouro quando o segundo pistão entra no engatilhamento. O estouro quando aperto o botão que faz vapor sair dos buraquinhos sujos de graxa. O estouro quando o parafuso é rapidamente empurrado e rosqueado para a peça metálica que provavelmente pertencerá a mais uma máquina de nome técnico gigante. O estouro quando a miniescotilha derruba a peça na diagonal para baixo. O estouro quando a miniescotilha se fecha. O estouro quando movo a manivela até o fim para reabastecer os pistões. Mais um estouro trivial. O estouro do vapor saindo de novo. O estouro das juntas das engrenagens se reajustando e máquina está pronta para repetir o processo e gritar mais estouros.

O meu colega da esquerda está no chão, morto, baleado. Dessa vez ele não faz joinha.

Quer ler mais contos como esse?

˚﹏˚
J. C. Fantin
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Um comentário :

  1. Wargorr9 de maio de 2018 às 17:05

    E é por isso que precisamos da revolução socialista
    URA!

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